A forma como se encaram os dias leva-os a correr ou a soluçar aos nossos olhos. Os meus dias têm corrido, embora o façam contra a minha vontade. O tempo urge e é necessário apresentar trabalho feito.

O meu projecto de investigação – A utilização de ferramentas tecnológicas e os processos de aprendizagem: um estudo na introdução à Álgebra no 2.º ciclo.

O que se pretende?!

… conhecer a influência da utilização de ferramentas TIC nos processos cognitivos de aprendizagem de alunos do 2.º ciclo de escolaridade, no contexto da introdução do tema Álgebra.

Quando se fala da utilização de tecnologia em educação, assume-se frequentemente que a sua introdução no ensino é simples e benéfica, bastando para isso a disponibilização aos alunos de ferramentas informáticas. No entanto, a investigação tem demonstrado que para que a utilização destes materiais se traduza em resultados positivos na aprendizagem dos alunos é necessário alterar as práticas e os hábitos do professor nas suas aulas.
Por outro lado, a utilização de ferramentas informáticas também pode alterar a forma como os alunos aprendem. Mas para tal o professor deve ter consciência deste facto e apoiar os seus alunos, desenvolvendo actividades que os conduzam a novas aprendizagens. O que pretendo com a minha investigação é perceber quais as diferenças nos processos de aprendizagem/resolução dos alunos cujos professores recorrem à utilização das TIC nas suas aulas para a resolução de tarefas matemáticas relativamente aqueles cuja aprendizagem se dá num  ambiente ‘tradicional’.

Bom ponto de partida?!… a ver vamos…

Após uma longa ausência… as novidades:

O 1.º ano do Mestrado terminou de forma positiva: as cadeiras ficaram feitas (1.º e 2.º semestre) e o projecto de tese foi entregue.

Agora iniciarei a 2ª fase deste meu projecto: a dissertação do mestrado…

A escolha do Geometers SketchPad como ferramenta para trabalhar conceitos e conteúdos matemáticos deve-se ao facto desta aplicação ter provado ser capaz de facilitar o desenvolvimento de várias competências matemáticas em geometria, através das suas potencialidades de visualização e experimentação de figuras de modo intuitivo, dinâmico e sem carga cognitiva acentuada na utilização da ferramenta. Este facto é importante nas tarefas de investigação matemática, pois através da manipulação das figuras os alunos conseguem mais facilmente chegar a conjecturas e generalizações sobre o que estão a observar, facilitando-lhes a aprendizagem.

Como principais potencialidades da ferramenta, para além das já anteriormente mencionadas, realça-se o facto da mesma ser suficientemente versátil e robusta (não bloqueou, e era rápida na resposta), permitindo a análise e o relacionamento de um grande número de conceitos e procedimentos.

(excerto do trabalho realizado em grupo para a disciplina de opção ‘Actividades Experimentais com TIC em Matemática’)

A alteração dos contextos de ensino de um ensino presencial para o e-learning obriga a transformações dos processos normalmente utilizados pelos professores na organização da sua prática lectiva. Estas alterações são usualmente lentas e muitas vezes pressupõem que o professor passe por diferentes fases de apropriação dos novos processos e dos materiais disponíveis. A utilização inicial de uma plataforma LMS passa muitas vezes pela sua redução a um repositório de material complementar dos materiais utilizados pelos alunos ou à transmissão de informações.

Quando o professor já se sente confortável com a utilização destas ferramentas, quando consegue fazer uso das potencialidades da plataforma utilizada e dos processos inerentes ao e-learning, o envolvimento criado no processo de aprendizagem pode transformar essa mera plataforma numa base para uma comunidade de prática, em que todos os envolvidos se tornam participantes e são frutuosas as análises e discussões desenvolvidas. Passam a ser comuns os momentos de colaboração horizontal e não apenas dirigidos pelo professor; são trazidas pelos alunos novas abordagens e questões sobre os assuntos abordados.

A plataforma LMS mais utilizada pelas escolas portuguesas actualmente é o Moodle. Esta plataforma foi criada tendo por base um modelo pedagógico social-construccionista e tem a vantagem de ser open-source, sendo a sua utilização gratuita. É uma ferramenta flexível, fácil de utilizar e com uma interface simples, com vários tipos de ferramentas de comunicação, participação e da sua análise para avaliação dos alunos. Também são estas as potencialidades que facilitam a sua utilização em meio educativo.

Assim acaba o primeiro semestre desta nova viagem…

Algumas das aprendizagens que fiz encontram-se aqui descritas, outras por falta de tempo ficaram por escrever ou espalhadas por outras paragens. Daqui a um mês espero ter mais que reflectir e que aprender… darei notícias.

Quando falamos de aprendizagem situada, de aprendizagem em comunidades onde a teoria se torna prática, podemos estar a falar de comunidades de prática, comunidades cujos actores pertencem a um domínio (de trabalho, p. ex.), onde são discutidos vários aspectos das suas práticas relacionadas com âmbito desse domínio. A participação de um indivíduo nessa comunidade possibilita a aprendizagem de forma contextualizada.

Numa comunidade de prática há um objectivo comum, mesmo que existam vários papéis e níveis de responsabilidade dentro da comunidade; há um reportório comum, expressões utilizadas pelos seus actores; é também necessário que haja engajamento mútuo, em que as pessoas se interliguem de modo a fazer a comunidade evoluir e a atingir os seus objectivos.

Quando se pensa em e-learning pensa-se em ferramentas, e espaços de trabalho colaborativo; ferramentas para armazenar e organizar informação ou distribuir e comunicar. Estes espaços de trabalho devem permitir a participação (diálogos múltiplos, forma síncrona ou assíncrona), a construção colaborativa (não só de produtos mas também de ideias), a revisão da história das participações e construções (para perceber o que foi feito naquele espaço); mas também deve ser colocado o foco na aprendizagem que se pretende desenvolver, nos espaços e tempos de aprendizagem; no entanto, mantém-se em primeiro plano a colaboração e em segundo o ensino explícito ou transmissivo.

Providenciar tecnologia para as comunidades virtuais não é simples: uma boa tecnologia não será garante para uma comunidade se estabelecer e vingar mas uma má tecnologia poderá certamente inviabilizá-la. A tecnologia deve centrar-se na comunidade, nas circunstâncias em que foi criada e se desenrola, as suas aspirações, os seus membros e actividades desenvolvidas.

Existem 4 princípios gerais para o design de tecnologias para comunidades virtuais.

A simplicidade de utilização da tecnologia – tecnologias com ferramentas semelhantes aquelas que mais são utilizadas pelos membros da comunidade, de modo a evitar a perda de tempo com aprendizagem ou a resistência à utilização de novas ferramentas;

Tecnologia que seja capaz de evoluir – pois a própria comunidade poderá alterar a sua forma com o tempo, e a tecnologia utilizada deverá ser capaz de acompanhar estas mudanças e continuar a dar resposta às necessidades da comunidade;

A comunidade à distância de um clique – a tecnologia utilizada deverá permitir que facilmente os membros da comunidade acessem às novidades da comunidade, pelo que deverá usar ferramentas de comunicação que sejam próximas dos membros;

Design para a perspectiva dos membros – pois são eles que contribuem para evolução da comunidade; embora a tecnologia seja desenhada para a comunidade, deve equilibrar as necessidades desta com as dos diferentes membros.

O acesso generalizado à www, que há 10 anos para pouco mais servia do que procurar informação, transformou aos poucos o modo como se faz as coisas. Desde que se percebeu a sua utilidade como forma de comunicação, a sua utilização aumentou muito mais. Se hoje em dia quase que entramos em pânico quando ficamos sem telemóvel (impensável há 10 anos), não nos faltará muito para reagirmos da mesma forma quando o portátil ficar sem bateria ou o serviço de internet for abaixo.

Para muitos a comunicação on-line facilitou as suas relações visto que a timidez desaparece um pouco, para outros aumentou-as criando amizades por todas as partes do mundo, e para outros substituiu muitas das saídas de casa… o que dá bastante jeito no inverno quando chove torrencialmente.

Os seres humanos têm claramente uma grande necessidade de comunicar, de interagir, e estas ligações electrónicas permitiram fazê-lo numa escala muito mais alargada. Quaisquer que sejam os nossos interesses conseguimos encontrar em vários países pessoas como nós, que procuram o mesmo… que querem partilhar o que sabem e aprender mais… que querem conversar, desabafar… que querem jogar… a qualquer hora do dia, qualquer dia da semana.

Profissionalmente, poder ter espaços de troca de ideias, de partilha de recursos, é excepcional. Sítios onde se encontram respostas para as nossas dúvidas ou dificuldades, ou onde podemos colocar perguntas… onde aprendemos a ser melhores naquilo que fazemos. Sítios onde em colaboração com colegas que não conhecemos pessoalmente (ou talvez sim…) construímos a nossa ideia de uma escola melhor e ganhamos força para a pôr em prática no terreno.

Esta partilha possibilita que a escola melhore, na medida em que os professores que se envolvem em comunidades de prática tornam-se, no mínimo, mais conscientes dos recursos à sua disposição, das ferramentas que existem para auxiliar os seus alunos a compreender determinado conceito ou desenvolver alguma competência. As escolas tornam-se melhores porque os professores abrem as suas portas e janelas a coisas novas, ao mundo…